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terça-feira, 5 de abril de 2011

A viagem de ônibus


Assim que o dia amanhecia, ela saia de casa para ir ao trabalho, caminhando pela rua, trajando aquele belo uniforme azul marinho, sapatos pretos, bolsa combinando, cabelos presos e maquiagem discreta. Cumprimentava pouquíssimos vizinhos, não gostava de falar com ninguém que não conhecia, sequer olhava para as pessoas na rua, indiferente a tudo e a todos, era conhecida como “a patricinha esnobe”. Só era possível vê-la quando saia para o trabalho e no seu retorno para casa e quando, nas raras vezes em que ela saia, estava sempre sozinha.
Neste dia, ela saiu atrasada de casa e foi depressa para o ponto de ônibus. Aguardou impacientemente exatos trinta minutos até que finalmente conseguiu embarcar reclamando:

- Lotado, como sempre!

Mesmo depois da longa espera, sente-se aliviada por estar dentro do ônibus, porém esta sensação de alívio não dura mais do que poucos segundos, ao se deparar com aquele número de pessoas que ultrapassava a lotação máxima permitida, com o calor insuportável e aquele homem sem noção, com o celular ligado no volume mais alto, obrigando a todos os usuários a compartilharem do seu gosto musical que, para ela, era um insulto aos seus ouvidos.

Sua viagem, que deveria durar meia hora, mas que graças ao congestionamento quilométrico, já ultrapassava quarenta e cinco minutos, ficava cada vez mais cansativa e ela, extremamente estressada com tudo aquilo ao seu redor, já não agüentava mais. Eis que de repente, um gentil rapaz cede seu lugar a ela:

- Moça, daqui a pouco descerei, quer sentar? Perguntou ele, preocupado.

- Obrigada! Você é muito gentil. Respondeu ela com um sorriso nos lábios.

Sentou-se com satisfação e passou a observar as pessoas que permaneciam em pé dentro do ônibus. Algumas sorrindo, outras conversando, comendo. Percebeu então, que havia uma jovem senhora com uma criança aos prantos em seus braços.

Ela ficou refletindo por algum tempo ao ver aquela cena e mesmo relutante, decidiu se levantar e pediu a uma moça simpática que estava sentada ao seu lado para que reservasse o lugar e, com dificuldade, devido ao fato de o ônibus ainda estar lotado, direcionou-se à jovem que carregava a criança, dizendo:

- Sente-se em meu lugar, por favor.

- Obrigada. Respondeu-lhe aflita, tentando acalentar a criança.

Assim que se sentou a jovem amamentou a criança, que logo se tranqüilizou e adormeceu.

Apesar de estar estressada e muito cansada, depois de ter ficado quase uma hora em pé, naquele ambiente absurdamente desconfortável para ela, estava feliz por ter cedido seu lugar àquela jovem mãe que só queria amamentar seu filho.

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